Projeto integra a parceria inédita com o Massachusetts Institute of Technology (MIT)

Em abril de 2025, a Sondotécnica se tornou a primeira empresa brasileira de engenharia e projetos a assinar um acordo oficial com o MIT, assumindo o papel de patrocinadora e parceira técnica do Senseable City Lab.

Poucas semanas depois, a comunidade do Vidigal, na Zona Sul do Rio de Janeiro, ganhou destaque em um dos eventos mais prestigiados da arquitetura mundial: a 19ª Bienal Internacional de Arquitetura de Veneza.

O projeto Data Clouds, desenvolvido a partir de um amplo levantamento realizado pela Sondotécnica, em parceria com o Senseable City Lab, laboratório do MIT reconhecido internacionalmente por sua atuação em inovação urbana, transformou em instalação imersiva a complexa geometria de uma das favelas mais emblemáticas do Brasil.

O trabalho integra uma colaboração inédita entre as instituições e representa um marco para a arquitetura e a engenharia brasileiras.

Tecnologia a serviço da cidade

Entre novembro de 2024 e fevereiro de 2025, engenheiros e especialistas da Sondotécnica percorreram vielas e escadarias do Vidigal e registrou um amplo levantamento de dados no Vidigal utilizando tecnologias de ponta:

  • LiDAR (Light Detection and Ranging): escaneamento a laser que emite milhões de pontos de luz para medir distâncias e gerar mapas tridimensionais extremamente detalhados;
  • Fotografia 360º: imagens que permitem explorar os espaços em todas as direções, como se estivéssemos caminhando dentro deles;
  • Registros feitos por moradores: fotos e olhares da própria comunidade, que complementaram os dados técnicos com a vivência cotidiana.

O resultado foi a reconstrução digital em 3D de parte da favela, revelando não apenas a densidade de construções, mas também os caminhos, os espaços abertos e a lógica invisível que organiza o território.

“Com o LiDAR e outras tecnologias emergentes, conseguimos capturar a riqueza e a engenhosidade humana desses espaços”, afirma Martina Mazzarello, coordenadora do projeto.

“O Vidigal não é apenas um aglomerado de casas. É um sistema urbano moldado por criatividade e estruturas sociais profundas”, completa Fabio Duarte, pesquisador do MIT.

Um olhar inovador sobre as favelas

Mais do que um aglomerado de casas, o Vidigal surge nesse trabalho como um sistema urbano dinâmico, fruto da criatividade de seus moradores e de uma engenhosidade coletiva que desafia a visão tradicional de planejamento urbano.

Ao projetar essa complexa rede de becos, escadas e construções em uma instalação imersiva, a Bienal de Veneza abriu espaço para que o mundo enxergue o potencial das favelas como laboratórios vivos de soluções urbanas.

O diferencial do projeto

O que torna este trabalho único é a combinação entre ciência de dados, inovação tecnológica e participação comunitária. A união de técnicas avançadas com a contribuição dos próprios moradores garante não apenas precisão, mas também representatividade.

Essa abordagem pode trazer inúmeros benefícios para a comunidade e para a cidade como um todo:

  • Apoiar políticas públicas de urbanização e mobilidade;
  • Orientar projetos de infraestrutura mais sustentáveis;
  • Valorizar a cultura e o protagonismo dos moradores;
  • Mostrar ao mundo um retrato mais justo e humano das favelas.

Uma colaboração internacional

Esse projeto nasceu da colaboração entre a Sondotécnica, via Tehclab – o hub de inovação da empresa, liderado pela gerente de BIM e Inovação, Stefania Dimitrov, e o Senseable City Lab, laboratório do Massachusetts Institute of Technology (MIT), referência global em inovação urbana.

A Sondotécnica é parceira oficial do laboratório, apoiando pesquisas que unem engenharia, tecnologia e cidade. “Temos como missão apoiar o desenvolvimento de soluções tecnológicas em áreas como data science, inteligência artificial, deep learning e blockchain, sempre com foco em transformar cidades reais e enfrentar os desafios do urbanismo contemporâneo”, complementa Stefania.

“Embora a parceria seja estratégica e abra portas para novas soluções, o que realmente se destacou na Bienal foi a capacidade de traduzir os dados coletados no Vidigal em uma experiência sensorial, capaz de revelar a beleza oculta de um território muitas vezes invisível”, finaliza Julia Mantovani, consultora da Sondotécnica, que coordenou a campanha de campo no Vidigal.


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