Neste ano, a Sondotécnica faz 70 anos e o sentimento de orgulho dos profissionais que fazem parte dessa trajetória é imenso. Ao longo desses anos, contamos com diversos profissionais extraordinários e, sem eles, não seria possível construir essa empresa sólida, de qualidade e que é líder em consultoria de engenharia no Brasil.

Como uma forma de homenagem, vamos conversar e conhecer alguns personagens fundamentais na história da companhia. Para iniciar essa série de entrevistas, convidamos Luiz Antonio Sant’Anna, que iniciou na Sondotécnica em 1973, como estagiário e hoje faz parte do Conselho de Engenharia. Confira o bate-papo na íntegra:

Sondotécnica – Por que você resolveu ser engenheiro? Pode nos contar um pouco da sua formação?

Sant’Anna – Venho de uma família de engenheiros, na minha infância e juventude o que mais queria era entrar de férias e ir para as obras. Houve uma crise na construção civil por volta do final da década de 60 e início da de 70, nós construímos com capital próprio e a conjuntura (inflação) não permitia mais. A construtora acabou antes do “boom” de financiamento via BNH.

Já cursava engenharia na UFRJ (entrei em 1970) e me interessei por Mecânica dos Solos e Fundações, influenciado pelo Prof. Fernando Emmanuel Barata (recém falecido) e, também, por barragens. Era uma época de ouro na construção de hidrelétricas.

Após a graduação em Engenharia Civil, já era funcionário da Sondotécnica, fiz o curso de mestrado na COPPE-UFRJ, na área de Mecânica dos Solos e Fundações.

Sondotécnica – Como foi o início da sua carreira na Sondotécnica?

Sant’Anna – Em 1973, já interessado em Mecânica dos Solos, procurei nas antigas “Páginas Amarelas”, empresas que atuavam nesta área. Desta forma, bati na porta da Sondotécnica e fui atendido por um “contínuo” (auxiliar de serviços gerais) que perguntou onde eu estudava. Quando disse que era na UFRJ, ele me encaminhou direto para o Departamento de Geotecnologia e aí consegui o estágio.

Antes havia trabalhado numa consultora especializada em planejamento de obras e participei do planejamento da construção do RioSul.

Sondotécnica – Como foi sua trajetória dentro da empresa até hoje? Por que você acredita que está há tantos anos na mesma empresa?

Sant’Anna – Bom, como já dito, comecei como estagiário, passei a auxiliar de engenheiro em agosto de 1974 e, assim que terminei o curso de engenharia, fui admitido como engenheiro.

Nas décadas de 1970 e 1980, participei de diversos projetos nas áreas de hidroenergia (inventários e usinas), plataformas móveis de perfuração (Petrobras), ferrovias, rodovias, metrô, etc.

Entre 1991 e 1996, coordenei um contrato de supervisão de obras para o ERJ, chamado Reconstrução Rio, que contava com recursos do BIRD. Tratava-se da recuperação da macrodrenagem na região Metropolitana do Rio de Janeiro, afetada por fortes enchentes ao final da década de 1980.

Depois tive oportunidade de coordenar contratos de supervisão/gerenciamento tais como: Despoluição da Baía da Guanabara-PDBG, irrigação no Ceará – Tabuleiro de Russas, concessão da Rodovia Presidente Dutra, Programa Nova Baixada.

A partir de 2003 chefiei o Departamento de Engenharia Civil, responsável por projetos das disciplinas de geotecnia, geologia, saneamento e rodovias. Houve participação em diversos projetos de saneamento em Angola (Luanda, Lobito, Benguela, Catumbela e Baía Farta) e República Dominicana (Aqueduto Noroeste e Samaná); infraestrutura do Parque Industrial de Viana – Luanda; rodovias no Peru – Eixo ; dentre outros.

Passei a ser diretor técnico da Sondotécnica em junho de 2008, atuando na sede, no Rio de Janeiro, nas áreas de projetos, supervisões e gerenciamentos. Nos últimos 7 anos crescemos significativamente na área de projetos para rodovias e hoje temos como clientes as maiores e mais importantes concessionárias de rodovias do país.

Recentemente, no final de maio de 2023, deixei a diretoria técnica da Sondotécnica e passei a integrar o seu Conselho de Engenharia.

Neste ano completo 50 anos de trabalho na Sondotécnica. Ao longo deste tempo foi possível meu aprimoramento técnico, por exemplo: a empresa me deu a oportunidade de fazer o curso de mestrado em paralelo ao meu trabalho.

Os trabalhos que pude realizar, tanto na área de projetos, quanto nas áreas de supervisão e gerenciamento, sempre foram interessantes e tiveram um cunho de desafio técnico e mesmo gerencial. Por exemplo: projetar a ETE Alegria (planta de tratamento de esgotos ao lado da Linha Vermelha) sobre solos muito moles e gerir contratos de supervisão e gerenciamento no âmbito público passando por diversos governos.

Durante esta trajetória nunca faltou apoio da direção da Sondotécnica e reconhecimento do valor do trabalho desempenhado.

Sondotécnica – Na sua opinião, qual o principal diferencial da Sondotécnica em relação às outras empresas do mercado?

Sant’Anna – Posso elencar alguns pontos que considero ser diferenciais:

  • Incentivo a inovações, a novas técnicas e a procura constante para ficar “up to date”;
  • Apoio ao aprimoramento dos funcionários, incentivando a realização de cursos de mestrado e atualizações técnicas;
  • Ambiente de trabalho amigável, sempre com diálogo;
  • Apoio incondicional às decisões corretas, mesmo que possam ser “comercialmente” desfavoráveis;
  • Transparência no relacionamento com seus clientes, o que é fato é fato;
  • Um corpo técnico de excelente formação.

Sondotécnica – Para você, quais foram os projetos mais memoráveis em que atuou?

Sant’Anna – Esta resposta depende da sua maturidade técnica à época que desenvolveu o projeto. Quando engenheiro recém formado participei do projeto da Barragem de Chapéu d’Uvas, em Juiz de Fora – MG, e depois de um projeto para fundação de bombas (11.000HP, 2m3/s e 200 m.c.a.) na Elevatória de Água Bruta de Rio Descoberto – Brasília.

Tivemos também dois projetos de aterros sobre solos moles, um com 30 km extensão no trecho inicial da Ferrovia dos Carajás a partir de São Luiz – MA e outro na várzea do Rio Eufrates, para a ferrovia Baghdad – Al Qain – Akashat, no Iraque, que na época estava em guerra com o Irã.

Uns projetos de grande impacto social foram os programas Reconstrução Rio e Nova Baixada, ambos do ERJ. Após as intervenções de saneamento, drenagem e pavimentação era flagrante o investimento dos moradores na melhoria das habitações, “agora sim dá para viver aqui”.

Sondotécnica – Tem alguma história inesquecível que você gostaria de dividir?

Sant’Anna – Vivenciei várias histórias interessantes e situações inesquecíveis. Tipo porta de helicóptero que se abre em pleno voo; visita ao sítio de uma barragem em Mato Grosso, que foi uma verdadeira aventura fora de estrada, que durou cerca 48 horas ininterruptas; overbooking para voo Aman-Frankfurt (retorno do Iraque), tendo que fazer câmbio fora da área de embarque, com o aeroporto cercado por militares; voo em bimotor com motor falhando e que veio a cair 1 mês depois, etc. Cada uma dá um conto.

Sondotécnica – Gostaria de deixar uma mensagem para as pessoas que estão começando agora na empresa ou que têm vontade de trabalhar na Sondotécnica?

Sant’Anna – A Sondotécnica, além de ser uma empresa reconhecida como uma das melhores do país, é por tradição uma excelente formadora de profissionais da engenharia. Aqui o profissional tem chance de se especializar, viver diferentes projetos tendo contato com outras disciplinas que não a sua, o que dá uma boa visão geral da engenharia. Como hoje estamos em franca expansão de nossas atividades a possibilidade de crescimento profissional dependerá apenas da sua dedicação e comprometimento.

Sondotécnica – Qual a grande obra da história da humanidade que você gostaria de ter participado?

Sant’Anna – Todos lembram logo das pirâmides do Egito. Sou mais modesto e cito o Canal do Panamá, construído pelos americanos no início do século XX. Foi um desafio sanitário e de engenharia.

Sondotécnica – Ser engenheiro é..

Sant’Anna – Ser engenheiro é transformar materiais em dispositivos/construções que tornam a vida mais saudável, confortável, econômica e segura, e que sejam, preferencialmente, sustentáveis.


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