Pioneira no uso da tecnologia BIM no país, a Sondotécnica inova mais uma vez com o projeto BIM em Favela. A metodologia utiliza o ambiente colaborativo proporcionado pela modelagem de informação para projetos em comunidades onde o mapeamento de espaços demanda uma abordagem diferenciada por conta, principalmente, da ausência de informações oficiais sobre essas regiões e das dificuldades de acesso. O BIM em Favela foi elaborado para contratos de gerenciamento e fiscalização de projetos e obras de urbanização e pode ser aplicado em diversas regiões, uma vez que mais de 1,8 mil km² das áreas urbanas brasileiras são ocupadas por favelas.

O mapeamento dessas áreas começa com sobrevoos feitos com drones e pontos de apoio no solo. Desse trabalho, é possível gerar um ortomosaico – conjunto de fotos com alta qualidade -, uma nuvem de pontos, uma restituição aerofotogramétrica e um modelo 3D de toda a área.

“De modo geral, as favelas não são mapeadas. Percebemos que, muitas vezes, esses espaços estão em branco nos mapas das cidades. Não há nomes oficiais de ruas e, com isso, as pessoas não têm endereço e isso é muito relevante. Imagina você ir a uma entrevista de emprego, por exemplo, e não ter como preencher seu endereço em uma ficha ou currículo. Com essa nova forma de atuar, ajudamos a melhorar a habitação dessas pessoas, proporcionando mais dignidade, sensação de pertencimento e identidade”, ressalta a gerente de BIM e Inovação da Sondotécnica, Stefania Dimitrov.

A alta densidade demográfica e a construção desordenada são características comuns à maioria das favelas e conferem uma complexidade particular a essas regiões, que é levada em consideração no BIM em Favela. “O maior objetivo dessa metodologia é melhorar a habitação dos moradores dessas comunidades. Vemos pessoas habitando áreas de córrego e de risco, sem esgotamento sanitário, abastecimento de água adequado, iluminação e espaços livres de lazer. A tecnologia embarcada no BIM em Favela nos ajuda a entender melhor as necessidades de quem mora ali e, inclusive, fazer ajustes ao longo da obra por conta desse mapeamento mais completo”, reforça Stefania.

Ferramenta também contempla informações úteis para gestão e planejamento
Outro ganho importante é a possibilidade de fazer simulações sobre, por exemplo, a melhor rota de fuga caso aconteça uma situação de risco como um incêndio, como lidar com imprevistos e situações de emergências e propor e prever melhorias. Além de informações geométricas, o BIM em Favela também conta, dentro dos modelos, com informações como quantas famílias moram em cada edificação, se determinada edificação está em risco, se precisa ser removida, quando isso vai acontecer, quais serão as fases da obra, entre muitos outros dados.

Durante o mapeamento, a Sondotécnica contou com o apoio do Construtivo, empresa de Tecnologia da Informação que oferece soluções para o setor de engenharia. Uma das ferramentas testadas pela equipe de campo foi o escâner Leica BLK To Go, que disponibiliza informações mais completas sobre o ambiente a partir de uma nuvem de pontos gerada pela captura das imagens, facilitando o relatório para a avaliação das moradias. Os profissionais também experimentaram o medidor a laser Leica Disto D2, recurso que se conecta diretamente ao tablet e ajuda no cálculo e no reconhecimento de obras já realizadas no local, eliminando a necessidade de a equipe voltar aos escritórios para criar as plantas do projeto baseadas em cálculos manuais.

Projeto será apresentado em eventos do setor
O case do projeto BIM em Favela será apresentado em dois importantes eventos do setor de construção nos próximos meses. No dia 1° de dezembro, Stefania e o pesquisador do MIT, Fabio Duarte, estarão à frente de um painel sobre o tema no 5° Seminário Internacional A Era BIM, promovido pelo Sindicato da Arquitetura e da Engenharia (SINAENCO). Já entre os dias 7 e 8 de dezembro, a equipe da Sondotécnica e profissionais da Pars e da Autodesk participarão do Autodesk Experience Brazil, maior evento virtual realizado pela Autodesk do Brasil, falando sobre a metodologia.

“O BIM permite a inclusão de informações de gestão e planejamento que passam a ficar associadas à geometria da favela, oferecendo uma visão bem mais completa do empreendimento. Isso nos traz a possibilidade de conversas mais transparentes e assertivas com todos os agentes envolvidos, como os moradores, que conseguem entender melhor por meio de uma maquete as intervenções que precisam ser feitas, e também com construtoras, projetistas, órgãos financiadores e de aprovação envolvidos. O BIM é muito rico como material de comunicação durante todo o ciclo do empreendimento”, explica Stefania.


Compartilhe!