O Dia Mundial do Urbanismo é comemorado no dia 8 de novembro e nos faz refletir sobre as cidades que vivemos e a relação entre a sociedade e os espaços urbanos. Meio ambiente, mobilidade urbana, locais para habitação, soluções de lazer e saneamento são assuntos que entram nesse debate.

A Sondotécnica conversou com a urbanista Heloisa Masuda, sobre sua rotina de trabalho, projetos de planejamento urbano nos quais ela já atuou, caminhos que a área tem tomado e até reflexões sobre a profissão. Ela traz pontos relevantes e nos faz compreender mais o tema. Confira a entrevista na íntegra a seguir.

Para você, qual o principal papel do Urbanismo para a sociedade e para as cidades? O que você destacaria de importante sobre a profissão?

Urbanismo é uma área do conhecimento que estuda como a sociedade organiza o espaço urbano na qual está inserida.

O urbanista atua na elaboração de políticas públicas pelos municípios através de Planos Regionais, Planos Diretores Municipais, Planejamento Urbano e os Planos Setoriais visando otimizar a aplicação de recursos públicos em obras de infraestrutura urbana que melhorem a qualidade de vida da população.

A profissão de urbanista lida com a produção do espaço urbano e tem uma interface importante com outros profissionais e com a população de modo geral, pois a cidade é vivida por todos que nela habitam.

Tem algum projeto implementado pela Sondotécnica que você destacaria?

Muitos dos projetos da Sondotécnica visam a melhoria do espaço urbano através da implementação das ações pelo planejamento urbano. Tanto na concepção de desenvolvimento de projetos básicos e executivos na área de urbanização, saneamento, habitação, transporte, meio ambiente, quanto na gestão da implementação destes.

Particularmente, tenho carinho especial pelos projetos de urbanização de favelas e produção de novas unidades habitacionais do município de São Paulo, pois estão alinhados com o compromisso de qualidade do meio ambiente, social e governança (ESG).

Quando você descobriu que tinha vocação para arquitetura?

Eu nasci em Curitiba, onde morei até os meus 26 anos. Para mim, as discussões sobre a cidade sempre foram corriqueiras, no meio familiar e escolar.

Haviam ações da prefeitura, que na época tinha a imagem de “cidade ecológica”, e incentiva a reciclagem do lixo com ações publicitárias como a “família folha”; totens espalhados pela cidade que indicavam a contagem de árvores “salvas” pela reciclagem; os corredores de ônibus implantados com as “estações tubo”, que garantiam qualidade do transporte público municipal.

Neste período foi possível ver como a legislação urbanística direcionou a concentração do comércio e adensamento populacional ao longo dos eixos de transporte público. Quando eu era mais nova, focava também nos ícones e monumentos da arquitetura. Tudo isso gerou uma vivência que impactou a minha visão sobre a cidade.

Sendo de uma família com vários engenheiros civis, foi uma decisão natural trabalhar com edificações, então, acredito que acabei optando pela arquitetura e urbanismo, pois sempre gostei do conceito de união de técnica com arte que o curso traz, da multidisciplinaridade que permite uma visão integrada entre edificação e cidade.

Em que momento você percebeu que queria seguir o caminho de Urbanismo, dentro da sua graduação?

Durante a graduação em Arquitetura e Urbanismo na Universidade Federal do Paraná – UFPR, tive contato com excelentes professores, como o prof. Luis Henrique Fragomeni, Gilberto Coelho e Gislene Pereira.

Apesar de ter interesse nas matérias de planejamento urbano e regional e urbanismo da faculdade, a paixão pelo urbanismo nasceu junto com o estágio na Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba (COMEC), quando apoiei na elaboração do Plano Diretor Estratégico da Região Metropolitana de Curitiba.

Como estagiária, fiz meus primeiros mapas usando ferramentas SIG (Sistema de Informações Geográficas) e, na época, ter meu nome na publicação deste plano junto com arquitetas incríveis com quem trabalhei foi um motivo de satisfação imensa para mim, apesar da singela contribuição.

Posteriormente, meu tema do trabalho de graduação abordou uma proposta para o Plano Diretor do município de Araucária. Após a conclusão do curso, fui trabalhar na Vertrag Planejamento Urbano dando apoio na elaboração de Planos Diretores, o primeiro deles justamente em Araucária, junto ao professor e mentor Fragomeni.

Foi uma oportunidade incrível para quem tinha acabado de sair da faculdade e dessa maneira acabei me tornando uma urbanista.

Sobre o seu dia a dia na Sondotécnica, como é o seu escopo de trabalho?

Eu ingressei na Sondotécnica Engenharia em maio de 2021, num período em que enfrentamos uma transição pós pandemia.

Inicialmente, trabalhei dando apoio a um projeto que previa a desmobilização de uma concessão rodoviária. Foi um trabalho bastante desafiador pela quantidade de informações que precisavam ser gerenciadas e pela escala da infraestrutura, pois eram mais de 500 km de rodovias e mais de 40 mil documentos.

Ao final do trabalho, passei a integrar a equipe de BIM e Inovação e hoje presto apoio a diversos contratos, principalmente no que diz respeito a mapeamento e criação de banco de dados espaciais.

Na inovação estamos buscando também uma melhor integração entre projetos BIM (Modelagem de Informação da Construção) e SIG (Sistema de Informação Geográfica), pois ambas as disciplinas abarcam dados localizados no espaço (georreferenciados) com informações tabulares agregadas, em diferentes escalas. Essa integração permite uma visão mais abrangente dos empreendimentos e obras urbanas que acompanhamos.

O setor de inovação da empresa atua de forma a buscar soluções que sejam adequadas na resolução de problemas de cada projeto, mantendo a Sondotecnica Engenharia sempre antenada às novidades tecnológicas do mercado e buscando excelência técnica.

Como você vê o papel do urbanismo nas práticas de ESG dentro das empresas e órgãos públicos?

O ESG, através de seus três pilares ambiental, social e governança, atua como eixo estruturante para empresas e órgãos públicos. Tanto o urbanismo quanto o ESG abarcam uma visão sistêmica a fim de solucionar problemas complexos.

Considerando a complexidade dos problemas urbanos, as empresas são importantes parceiras do poder público na implementação de melhores práticas de ESG, tanto através do cumprimento do regramento urbanístico, quanto na realização de esforços para melhor integração com a cidade. Entretanto, para que esta interlocução ocorra adequadamente, é necessário criar espaços de diálogo entre o poder público e a sociedade civil.

Como você enxerga o uso da tecnologia, como o BIM, por exemplo, dentro da área de Urbanismo? E como você acha que essas tecnologias podem influenciar na qualidade de vida da população?

Acredito que modelos integrados BIM e SIG são essenciais para boas práticas dentro da área de urbanismo. Em geral, as informações macro como: zoneamento vigente; tombamento de edificações; gabarito de altura das edificações permitido pelos órgãos reguladores; localização e instalação de redes de infraestrutura de água, esgoto e energia; e transporte são organizadas em um banco de dados SIG e são essenciais na elaboração de projetos urbanos que vão ter seu detalhamento realizado em BIM.

É cada vez maior a intercambialidade permitida por softwares que facilitam essa visão global do projeto. Cada vez mais estamos tratando também com informações de nuvens de pontos e escaneamento a laser, que auxiliam na leitura precisa do meio físico existente e que servem tanto para o embasamento de novos projetos como acompanhamento e gestão de obras.

Todas essas tecnologias são ferramentas que auxiliam na concepção de um bom projeto e sua gestão e implementação, pois o BIM, além de ser uma representação visual, pode conter informações de materiais utilizados, orçamento, cronograma, permitindo a interação e integração entre os diversos envolvidos.

Logo, as boas práticas de planejamento urbano precisam prever que as ações descritas nos planos diretores pelos urbanistas sejam efetivamente implementadas para melhorar a qualidade de vida da população.

Qual a mensagem que você considera importante deixar para as pessoas neste dia?

Gostaria de transmitir como mensagem um questionamento: qual cidade gostaríamos de deixar para as futuras gerações? Uma cidade socialmente mais justa? Uma cidade sustentável ambientalmente? Uma cidade competitiva e com destaque em um cenário global?

Estas perguntas cabem a todos os cidadãos, pois a participação popular, por meio de instrumentos como audiências públicas e reuniões regionais, é essencial para a criação de uma cidade melhor.


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